Dom Antônio de Castro Mayer
17/08/1986
Quando foram distribuídos, entre os
Padres Conciliares, os primeiros esquemas do 2º Concílio do Vaticano
interpelaram-me: – V. acha que, para isso, seria preciso reunir um
Concílio? A razão da pergunta é que os esquemas não apresentavam nenhuma
novidade.
De fato, a realidade do 2º Concílio do Vaticano não era o que aparecia. E sim, seus subterrâneos.
Sob uma aparência tradicional,
assegurada pela presença dos Srs. Cardeais Ottaviani, Bacci, Ruffini,
Braum e outros, operava o Cardeal Bea, porta-voz das Bnai-Brith judias e
demais maçônicos, convencidos de que era o momento de ultimar a obra de
destruição da Igreja Católica, implodindo-a sobre si mesma.
Estruturou-se, assim, um Concílio
“sui-generis”: sem discussão: os oradores sucediam-se ininterruptamente,
uns aos outros, vazando na assembléia o de que nutriam seus espíritos.
Não havia nexo entre as várias intervenções. Quem as quisesse contestar,
deveria inscrever-se na lista dos postulantes da palavra, e aguardar a
sua vez, que poderia ocorrer vários dias depois.
De maneira que, no 2º Concílio do
Vaticano, quem fazia tudo eram as comissões. E com tal sobranceria que,
logo de início, a mesa de presidência jogou fora os esquemas propostos
pela comissão preparatória, autorizada pela Santa Sé, ou seja, pelo
Papa, a quem, aliás, como chefe supremo da Igreja e Vigário de Jesus
Cristo, assiste o direito de propor a matéria a ser tratada nos
concílios e a maneira como fazê-lo.
Eis que o 2º Concílio do Vaticano constitui-se numa anti-Igreja.
Dogma fundamental da Igreja Católica é
sua necessidade para a salvação. Não têm os homens liberdade de escolher
sua religião, sua igreja, conforme seu agrado, ou persuasão. Sob pena
de condenação eterna, devem ingressar na Igreja Católica Romana. – Ora, o
Vaticano II, neste ponto, fixa, como doutrina inconteste, precisamente o
contrário: todo homem tem liberdade visceral de aderir à Religião de
sua preferência.
Posta esta antítese, neste ponto básico,
necessariamente, sobre ele vão se construir edifícios antitéticos. –
Por isso, dizemos que o Vaticano II firmou-se como a anti-Igreja.
Conseqüência: quem adere ao Vaticano II, sem restrição, só por esse
fato, desliga-se da verdadeira Igreja de Cristo. Ninguém pode, ao mesmo
tempo ser católico e subscrever tudo quanto estabeleceu o Concílio
Vaticano II. Diríamos que a melhor maneira de abandonar a Igreja de
Cristo, Católica Apostólica Romana, é aceitar, sem reservas o que
ensinou e propôs o Concílio Vaticano II. Ele é a anti-Igreja.
Jornal Heri et Hodie (de Campos), nº 33 – setembro de 1986.
Cfr. Monitor Campista, 17/08/86)
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