“Quando o uso de preservativos é
recomendado na frente de crianças”, declarou o prelado suíço de Chur, “é
uma ideologia que está sendo veiculada, ou seja, uma intromissão do
Estado na liberdade religiosa e na predominância do papel dos pais na
educação”. E nesse caso, como crentes, eles deveriam ser capazes de “se
subtraírem dos abusos estatais,” continuou o bispo Huonder, que exige um
“direito de resistência” para os pais.
O bispo de Chur também se posicionou
contra o direito de adoção por pares do mesmo sexo, o qual foi aprovado
em novembro pela Comissão do Conselho Estadual de Assuntos Jurídicos.
Cada criança tem o direito de ter um pai e a uma mãe, um direito que não
é respeitado na estrutura de uma parceria homossexual: “É uma violação
dos direitos da criança.” As melhores condições para o desenvolvimento
da identidade sexual são garantidas quando a criança pode crescer “em um
clima de dualidade entre uma mãe e um pai.” “A Igreja não pode
estabelecer os seus direitos nas posições que agradem a todos. Ela
precisa transmitir a verdade da fé – quer ela agrade ou não as pessoas,”
afirma o bispo Huonder.
Em uma carta pastoral intitulada “Uma
Educação Sexual Prescrita pelo Estado”, publicada em 5 de dezembro, o
bispo de Chur falou aos seus fiéis com relação ao Dia dos Direitos
Humanos. Ele observou que a Igreja “reconhece a Declaração Universal dos
Direitos Humanos de 1948,” mas submete as suas afirmações e
reivindicações “à verdade da Revelação de Deus.” O direito à transmissão
da própria fé da pessoa “nunca deve ser retirado dos pais,” ele
escreve.
O bispo denuncia a ideologia de igualdade
sem discriminação quanto à orientação sexual, juntamente com a
ideologia de Gênero. Essa última, contrária à natureza humana, destrói a
ordem da criação ao insinuar que o homem somente é resultado da cultura
e que ele constrói a si próprio independentemente da natureza humana e
das leis universais inerentes a sua condição. E relembra: “O direito
divino sempre tem precedência sobre os direitos humanos.”
Crítica Aguda às Declarações do Bispo Huonder
Após a publicação desta carta pastoral,
várias críticas foram ouvidas contra o argumento de que a Igreja
“reconhece” (somente) a Declaração dos Direitos Humanos.
“As comunidades religiosas nunca deveriam
relativizar a Declaração Universal dos Direitos Humanos,” declarou a
Federação Evangélica Suíça em um comunicado de imprensa em 6 de
dezembro. Os direitos escritos nesta convenção são válidos para todos,
da mesma maneira para todos, e independente de religião. Geoff
Tunnicliffe, secretário geral da Aliança Mundial Evangélica, compartilha
esta opinião. Daniel Graf, porta-voz da Anistia Internacional, afirmou
no Tages Anzeiger que é “irritante” ver, 60 anos depois da assinatura da
Declaração, um representante importante da Igreja que não a apóia
completamente e que revela isso no Dia dos Direitos Humanos.
Walter Kälin, diretor do Centro de
Competência Suíço para Direitos Humanos e professor de direito
internacional na Universidade de Berna, considera a posição do bispo
“preocupante”: “vendo o perigo universal que paira sobre os direitos
humanos, eu teria esperado que um líder da Igreja Suíça os apoiasse e
não que ele iria questioná-los.” Para Adam Loretan, especialista em
Direito Canônico, não basta “reconhecer os direitos humanos; eles devem
ser integrados no sistema e pensamento da pessoa.”
O bispo Felix Gmür, de Bâle, afirmou ser a favor da educação sexual na escola, em uma entrevista com o jornal alemão sonntags Zeitung,
em 11 de dezembro de 2011. “A aula de educação sexual é uma parte da
missão da escola pública, e não deve ser renunciada. Essas aulas ajudam a
apoiar e completar o papel dos pais,” declarou o bispo Gmür. “Tudo o
que é importante é que essas aulas levem em consideração todas as
opiniões diferentes.”
Assim, o bispo de Bâle opõe-se à idéia de
dispensar os alunos da educação sexual, conforme exige Dom Huonder.
“Quando eles expõem aspectos diferentes, biológicos, psicológicos,
emocional e social, não vejo razão para retirar as crianças dessas
aulas,” afirmou em oposição ao seu confrade no episcopado. (fontes:
apic/nzz bistumchurch/SonntagsZeitung – DICI#247, 23 de dezembro de
2011)
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