A História.
Conforme tradição muito antiga, o
quadro de N. Sra. do Monte Claro é cópia fiel da pintura feita pelo
evangelista São Lucas.
Seguidas vezes, são Lucas visitava
Virgem Maria, colhendo dela pormenores da infância de Jesus. Foi numa dessas
ocasiões que ele, na própria tábua da mesa de cedro que Nossa Senhora usava
para seu trabalho e oração, pintou sua imagem.
Diz a história que, ao iniciar a
pintura do rosto da Virgem Maria, deteve-se pensativo, preocupado em exprimir
da melhor forma possível toda beleza da Mãe de Deus. Profundamente recolhido,
cochilou e adormeceu por alguns instantes e, acordando, surpreendeu-se ao
encontrar o quadro pronto, no qual o rosto de Maria, de celestial beleza,
estava pintado.
Sendo Jerusalém ocupada
pelo exército romano, Santa Helena - mãe do Imperador Constantino - foi conhecer
os lugares santos e procurar o lenho da Santa Cruz. Santa
Helena viu o quadro e recebeu-o das mulheres que o guardavam. Encontrando
também o lenho da Santa Cruz, enviou ambos a seu filho Constantino o Grande,
Imperador de Constantinopla, naquela época, metrópole da Igreja.
Esse Imperador, recém convertido ao cristianismo, recebeu o quadro enviado por sua mãe, com grande
alegria, colocando-o na capela particular de seu palácio. Muitas cópias do
quadro milagroso foram feitas, por ordem de Constantino, e por ele doadas aos
cristãos do oriente e ocidente. O quadro original permaneceu com ele. Por mais
de 400 anos o quadro permaneceu nas capelas particulares, como propriedade dos
príncipes russos. Depois o quadro foi transferido para a capela do castelo
Belz, na Rússia, onde permaneceu por muitos anos.
Entrando a Rússia em guerra contra Ludovico, rei da
Hungria e da Polônia, foi por este vencida. A cidade de Belz e o castelo caíram
nas mãos de Ludovico, que nomeou seu sobrinho Ladislau, Príncipe de Opole -
Polônia, como governador de Belz.
Visitando as dependências do castelo, Ladislau
encontrou o quadro de N.Sra. e, cheio de respeito e amor para com Mãe de Deus,
colocou-o na capela do palácio. Entretanto, pouco tempo depois, a cidade de
Belz foi invadida pelos Tártaros, que atacaram o castelo.
Ladislau com sua agente, defendia-se de forma
heróica dos invasores muito mais numerosos. Vendo que seus esforços eram
inúteis, Ladislau recorreu à proteção de Maria e,
prostrando-se diante do Quadro sagrado, pediu socorro, que lhes veio sem
demora. O príncipe, grato pela ajuda milagrosa, decidiu
retirar o quadro da Virgem de Belz, pois era um lugar exposto aos ataques dos
Tártaros, e levá-lo a Opole (Polônia) capital do seu principado.
Contudo, por desígnio de Deus e vontade de Maria,
resolveu deixar o quadro numa capela situada na
colina chamada Monte Claro, perto de Czestochowa. O ponto mais alto, por ser um descalvado de
calcário, recebeu este nome de Monte Claro (= Jasna Gora)
Chegada do Quadro Milagroso à Polônia
Em agosto de 1382, O Príncipe Ladislau confiou o
quadro milagroso aos cuidados dos Frades Paulinos, seus fiéis guardiões.
Construiu-lhes, com ajuda do povo daquela região, o
convento, a igreja e fez generosa doação em terras e aldeias para manutenção do
convento e do Santuário. Ladislau
Jagiello, rei da Polônia e Lituânia, não só aprovou as doações do Príncipe, mas
contribuiu com outro tanto por sua parte.
A pedido deste rei, o
Papa Martinho V, pela Bula de 27 de Novembro de 1429, enriqueceu o santuário de
Monte Claro com diversas indulgências e com a benção papal.
Desde o primeiro dia da chegada do quadro da Virgem
Maria na terra polonesa o povo recorre a Nossa Senhora, pedindo saúde, consolo
e graças espirituais.
Inúmeras graças atribuem-se a ele: doentes
foram curados, pessoas desesperadas encontraram paz e consolação etc. Todos os
que recorriam à Mãe de Deus com confiança e amor, eram atendidos em suas
necessidades.
Peregrinações das mais longínquas localidades do
país e mesmo do estrangeiro chegavam ao Monte
Claro em busca de socorro material e espiritual.
Confortados pela ajuda recebida, expressavam a sua gratidão, oferecendo ao
Santuário donativos em ouro, prata, pedras preciosas e dinheiro. Também a
rainha da Polônia, Santa Edviges, com seu esposo, o rei Ladislau Jagiello e os
dignitários da corte, faziam ricas doações a Nossa Senhora.
Ornada com tantas jóias de alto valor, o quadro
milagroso tornou-se objeto de cobiça por parte dos ateus, dos infiéis e dos
assaltantes, numerosos naquela época.
Na madrugada do dia da Páscoa, do ano de 1430, o
Santuário de Nossa Senhora, onde apenas os frades e alguns peregrinos se
encontravam, foi repentinamente invadido por bandidos. Arrancaram do altar o
quadro, jóias, cálices e tudo de grande valor, jogaram tudo numa carroça,
pondo-se em fuga.
Por descuido o quadro caiu da carroça e quiseram o
recolocar, mas não o conseguiram. Do castelo mais próximo, vieram soldados
armados e puseram-se imediatamente atrás dos bandidos.
Os bandidos percebendo o que acontecera e não
conseguindo recolocar o quadro no veículo, o chefe dos bandidos, na iminência
de ser apanhado, encolerizou-se, golpeou-o diversas vezes com a espada e fugiu
apressado. Ao chegar no local, soldados, peregrinos e frades, encontraram o
quadro partido em três pedaços e o rosto de Nossa Senhora dolorosamente ferido.
Ajoelhando-se, pediram ajuda de Deus. Depois pediram ao rei da Polônia Ladislau
Jagiello que tomasse providências necessárias para restauração do quadro.
Famosos pintores foram até lá para restaurar, mas nenhum deles conseguiu
restaurar a pintura do quadro.
Quando todos desistiram, um jovem que havia
auxiliado o primeiro pintor veio até o rei e declarou com toda simplicidade:
"A Mãe de Deus não quer que sejam apagadas
essas cicatrizes".
Dito isto, pediu que lhe desse licença para
concluir a restauração do quadro, e o rei embora contrariado, não tendo outro
recurso cedeu ao seu pedido.
Antes de pintar o jovem rezou a noite inteira. Concluído o trabalho, entregou ao rei Ladislau o
quadro completamente restaurado, com todos os cortes cobertos, exceto os três
ferimentos no rosto de Nossa Senhora. O jovem pintor havia desaparecido e nunca
mais foi visto.
O quadro voltou ao seu trono, ornado novamente de
ouro, prata e pedra preciosas, doadas pelos reis e pelo povo. A Mãe de Deus continuou, desde então, operando
milagres e atendendo a todos os que a Ela recorriam com confiança e fé.
Em 1655, os Suecos invadiram a Polônia e atacaram
também o Convento e o Santuário de Czestochowa, a fim de se apoderarem das
riquezas do país. No Convento havia apenas frades e 50 famílias e alguns
soldados. Durante 40 dias, os suecos atacavam com mais de 15
mil homens, canhões etc..., lançando bombas incendiárias sobre o Santuário.
Os frades e os outros sitiados defendiam-se
heroicamente, confiando na proteção de Nossa Senhora e chegavam afazer
procissão com o Santíssimo em volta do Santuário, cantando e rezando no meio
dos ataques do inimigo.
Os suecos reconhecendo que lutavam contra forças
sobrenaturais resolveram se afastar na noite de Natal e pouco tempo depois,
foram expulsos também do país.
No ano seguinte de 1656, Nossa Senhora de
Czestochowa foi declarada, oficialmente, pelo Papa, RAINHA DA POLÔNIA.
Milagres Ocorridos no Século XX.
Muitas são as graças atribuídas à Nossa Senhora do
Monte Claro no século XX.
No final da II Grande Guerra, Adolf Hitler
reconhecia que a investida contra a Polônia havia fracassado devido, segundo
suas próprias palavras, "à Negra de Czestochowa".
No dia 26 de Agosto de 1956, um milhão de poloneses, unidos num só coração,
renovou o Voto da Nação, repetindo as palavra do Cardeal Stefan Wyszynski
ausente (preso pelo regime comunista), e renovando as promessas de fidelidade à
sua Rainha, a Deus, à Cruz, ao Evangelho, à Igreja e seus Pastores.
Por essas promessas eles se comprometiam a defender
a vida desde a sua concepção e a mútua fidelidade no matrimônio. Prometiam,
também, lutar contra seu vicio e praticar a lei do amor, respeitando a
dignidade humana.
Cada ano, no
dia 3 de maio, esses Votos São renovados em cada
paróquia e, no dia 26 de agosto, no Santuário
de Monte Claro em Czestochowa,
aos pés de Maria, Rainha da Polônia.
Qual o motivo da cor “negra”?
Ao longo dos séculos, muitos foram os testemunhos
de curas e outros fenômenos milagrosos ocorridos com fiéis que peregrinaram à
pintura. Ela é conhecida como "A Senhora Negra" por causa da fuligem acumulada sobre a sua
superfície, fruto de séculos de velas votivas queimadas junto a ela. Com o declínio do comunismo na Polônia, as
peregrinações à Senhora Negra aumentaram notavelmente.
Um Papa Polonês em Roma.
No dia 16 de outubro de 1978, os sinos de todas as igrejas da Polônia tocavam
festivamente, anunciando que um filho da Polônia martirizada, mas sempre fiel, Karol Wojtyla, Cardeal, fora eleito Papa, como 266 Sucessor de São Pedro, com o nome de João
Paulo II.
João Paulo II, antigo Arcebispo de Cracóvia, no dia
seguinte à sua eleição, escreveu ao Primaz da Polônia uma carta, e terminou
dizendo:
"Não haveria na sede de São Pedro um papa
polonês, se não houvesse Monte Claro e o maravilhoso Primaz com sua fé heróica
e inabalável confiança em Maria, Mãe da Igreja".
No seu brasão papal, colocou uma grande cruz, a letra M e
as palavras: TOTUS TUUS, que significa: Todo Teu - Todo de Maria.
Monte Claro,
depois de tantas provas e sacrifícios, o viu chegar radioso, cheio de esperança
e fé no futuro, que culminou com a visita do Santo Padre à Polônia, de 2 a 10 de
junho de 1979.
Como fiel servo de Maria, chegou dia 3 de junho a
Monte Claro e permanecendo ali por 3 dias. Em
sua peregrinação ao Brasil, de 30 de junho a 12 de julho de 1980, o Santo Padre
ofereceu à imigração polonesa, um quadro de Nossa
Sra. de Czestochowa.
Os imigrantes poloneses, ao deixarem sua Pátria,
levavam sempre consigo esse grande tesouro: o
quadro de Nossa Sra. do Monte Claro e
a grande devoção à Maria Santíssima.
Chega o ano de 1982. Polônia
prepara-se para comemorar os 600 anos do reinado maternal de Maria em
Czestochowa. João Paulo II alimenta o grande desejo de ir agradecer,pessoalmente
a Maria, a proteção Materna à sua Pátria, mas o governo comunista não deu a permissão, transferindo a peregrinação para o ano de 1983.
Foi com jubiloso "Magnificat" e "Te
Deum" que a Nação Polonesa agradeceu os benefícios e as graças de ordem
espiritual e material recebidas das mãos maternas de Maria Rainha da Polônia.
Realmente, Maria nunca abandonara o seu reino, quer
nas guerras, quer nas ocupações inimigas, nas perseguições comunistas, quer em
tempo de paz e em todas as circunstâncias.
Finalmente Polônia ficou livre do regime comunista, graças
à proteção de Nossa Senhora do Monte Claro. Inúmeras
são as graças de curas e conversão de pecadores, ao entrarem no Santuário da Virgem de Czestochowa. Maria espera a todos e ajuda aqueles que a
reconhecem como Mãe de Deus e seguem os passos do seu Filho Jesus Cristo.
O dia 26 de agosto é
dedicado à Nossa Senhora de Czestochowa.
Nossa Senhora de Czestochowa, rogai por nós.

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