Espera-se que dentro de algumas horas se tenha uma solução canônica para os bispos e sacerdotes da Fraternidade Sacerdotal São Pio X. As antecipações vão da manutenção do status quo à regularização sob a figura de uma Prelazia Pessoal.
Devo dizer que evolui muito na compreensão da crise de fé por que passa a Igreja e, consequentemente, também minha percepção da Fraternidade, de Dom Lefebvre, dos bispos e sacerdotes da Fraternidade evoluiu. Dom Lefebvre e Dom Antônio foram providenciais para chegarmos à demitização da “primavera” do pós-Concílio e, por que não?, do próprio Concílio Vaticano II. O Papa Bento XVI, quando cardeal, já nos advertia para o perigo de transformá-lo num super-concílio ou de idealizar o concílio, por meio de um seuespírito.
As questões disputadas – a liberdade religiosa da DH 2, a eclesiologia da LG 8, o ecumenismo UR 3, a colegialidade da LG 22 – parecem irrelevantes aos que estão acostumados ao dissenso generalizado de teólogos e mesmo de bispos. Mas a Fraternidade leva a Fé a sério e, por isso, também é levada a sério pelo Papa.
Uns diriam: “Que bobagem! Deixem de se importar com estas questiúnculas e, se for o caso, assinem o que tiver de ser assinado e ensinem o que já vêm ensinando!”. Não o Papa e não para a Fraternidade. Esta dissimulação não é compatível com o amor pela Verdade.
Credo Ecclesiam e, por isso, creio ser possível dar uma interpretação católica para os pontos controversos. No limite, o Papa poderia corrigir expressões ambíguas ou acrescentar esclarecimentos. Não foi o que fez Paulo VI com famosa “nota prévia” sobre a colegialidade? Seria Paulo VI um super-papa? Pôde fazer o que outros não poderiam? O Papa está acima do Concílio, pode agir independente dele, mas sempre sujeito à Fé da Igreja. Os que pensam diferente podem se tornar ortodoxos ou anglicanos.
Também creio que uma solução canônica seja possível, mas não a julgo um valor absoluto. Se o Papa der as garantias para que a Fraternidade siga com seu trabalho, tanto mais indispensável quanto mais não se vê no horizonte o fim da crise, por que não confiar no Papa? Será muito difícil, evidentemente, mas Deus levará a bom termo a obra iniciada. Os bispos sobretudo saberão se valer dos limites impostos pelo Direito Canônico e caberá ao Papa remover os obstáculos, como fizeram outros no passado em relação às questões de jurisdição.
Aguardo ansioso pela regularização canônica da Fraternidade simplesmente porque me parece absurdo estar “tecnicamente” em comunhão com certos bispos e canonicamente impedido em relação aos da Fraternidade. Reitero, todavia, as restrições que fiz a certos pronunciamentos de alguns deles e continuo a não os considerar infalíveis. Talvez seja esta uma situação desconfortável, desagradar a gregos e troianos, mas fazer o quê?, este sou eu!
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